O desempregado Jhonatan Ribeiro Brito Lima, 19 anos, foi morto na noite de sábado (10) com um tiro na nuca disparado, não intencionalmente, pelo subtenente Antoine Florido, 43 anos. No dia seguinte à ação violenta da Polícia Militar na Vila Moraes, em Mogi das Cruzes, os moradores do bairro, revoltados com a morte brutal do rapaz, foram até a rodovia Mogi-Bertioga e bloquearam uma das pistas com a queima de objetos.

O protesto serviu para chamar a atenção das autoridades e pedir justiça ao caso onde a versão oficial difere de comentários apontando que a morte de Jhonatan não teria ocorrido pelo disparo acidental de um tiro como contado na Central de Polícia Judiciária.

Cada um tem seu lado na história de violência, todavia o que não pode ser alterado são as imagens captadas por um celular mostrando um policial militar que parece mexer no rapaz baleado, como se estivesse mudando a posição do corpo caído na rua já aparentando estar sem vida, e de onde pode ser visto muito sangue próximo à sua cabeça.

As imagens que rodam pelas redes sociais, até então do desconhecimento da polícia, podem ajudar a esclarecer o caso que foi encaminhado para investigação pelo SHPP (Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa) de Mogi das Cruzes.

A morte de Jhonatan silenciou toda a Vila Moraes. As pessoas parecem temer qualquer informação sobre o acontecimento talvez por medo de represálias, de virem a sofrer uma refrega violenta “trancam” a fala.

No bairro onde ninguém viu ou ouviu nada ecoa a mesma “lei do silêncio” de localidades sob o controle do crime. A diferença é que na outra ponta é a imagem da própria polícia que leva receio aos moradores.

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O jovem morto já havia tido problemas com a Justiça. Ficou preso por cerca de seis meses por roubo e saiu de trás das grades por bom comportamento. E assim foi sua conduta até o dia fatídico quando a PM, levada por uma suposta denúncia de tráfico de drogas, foi ao bairro. No dia da tragédia acontecia a comemoração tardia de aniversário no bairro, e o som vindo de um carro animava a festa.

Uma viatura da polícia entrou em alta velocidade pela rua seguida de outras com a mesma “pressa”. Contaram ao todo uns quatro veículos. Jhonatan viu um dos carros e correu, instantes depois estava caído morto pela bala de uma pistola automática que lhe estourou a nuca.

Pelo boletim de ocorrência indo direto ao trecho narrando a morte do rapaz, é relatado que a PM viu um grupo suspeito e que dois deles desobedeceram a ordem de parada para abordagem, fugiram e, após breve acompanhamento a pé, se separaram sendo detidos em diferentes locais.

“Lamentavelmente, um deles, ao ser alcançado pelo policial, durante tentativa de sua contenção, veio a ser atingido com um disparo não intencional na cabeça”. A história segue “o rapaz projetou o corpo em cima do policial, que para se desvencilhar disparou”.

Apuração é feita pelas polícias Civil e Militar: moradores esperam justiça

A reportagem contatou na sexta-feira (16) a SSP (Secretaria Estadual de Segurança Pública) e a Polícia Militar para informações do caso que abalou uma comunidade inteira. Foi perguntado a ambos se faz parte do procedimento “um agente mudar a posição do corpo após uma ocorrência de morte”. Os dois órgãos não se manifestaram sobre o indagado mas deram suas posições.

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A SSP respondeu: “O caso foi registrado no sábado (10) pelo plantão da Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes e encaminhado ao Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa do município, que instaurou inquérito policial. A unidade realiza a oitiva de testemunhas e busca por outros elementos que auxiliem no esclarecimento de todas as circunstâncias relacionadas aos fatos”.

A Polícia Militar, por meio de sua assessoria de imprensa, foi mais econômica na reposta. “A Polícia Militar esclarece que instaurou Inquérito Policial Militar para apurar todos os fatos e que na data foi prestado o socorro pelos policiais militares que acionaram e auxiliaram o Serviço de Atendimento Móvel- SAMU que socorreu o homem ao PS Luzia de Pinho Melo, onde faleceu.

Ainda na sexta-feira uma policial que se identificou como cabo Mendonça, do CPA/M 12 (Comando de Policiamento de Área Metropolitano Doze) falou por telefone com o jornal solicitando o vídeo que pode acrescentar novas informações ao caso. Sobre o jovem morto, não foi encontrado nada com ele, nem drogas, nem arma e nem mais a vida. Os moradores do bairro onde ele vivia esperam que seja encontrada a justiça.

Por Aristides Barros

Veja o vídeo: