Bolsonaro descumpre ordens de ministro e vai ás ruas de Brasilia neste domingo (29)

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Um dia após o seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, pedir, em reunião tensa, que o presidente não menospreze a gravidade da pandemia do novo coronavírus em suas manifestações públicas, Jair Bolsonaro foi as ruas na manhã deste domingo (29). Bolsonaro visitou vários comércios locais ainda abertos em Brasília e cumprimentou populares. Houve aglomerações para tirar selfíes com o presidente.

Na reunião de ontem, conforme relevado pela Jornalista do Estadão de São Paulo, Eliane Cantanhêde, Mandetta alertou o presidente e os demais ministros: “Estamos preparados para o pior cenário, com caminhões do Exército transportando corpos pelas ruas? Com transmissão ao vivo pela internet?” Em outro momento, Mandetta deixou claro que, se o presidente insistisse em ir ás ruas, seria obrigado a criticá-lo. E Bolsonaro rebateu que, nesse caso, iria demití-lo. Mais tarde, em entrevista coletiva, o ministro da Saúde foi incisivo e condenou pela abertura do comércio e disse que “Os mesmos que fazem carreata vão ficar em casa daqui a duas semanas”.

Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada pelo acesso á residência oficial da vice-presidência, O Palácio do Jaburu, evitando assim o contato com a imprensa. São poucos os estabelecimentos abertos nesse domingo, porque a cidade cumpre decreto do governador, Ibaneis Rocha (MDB), que determina o fechamento de lojas e shoppings para evitar a circulação das pessoas e tentar controlar a propagação da Covid-19. Apenas os serviços considerados essenciais podem funcionar.

O presidente saiu por volta de 9h30 e seguiu para um posto de gasolina. Bolsonaro desceu do carro para cumprimentar e tirar fotos com frentistas que estavam trabalhando. Também conversou com populares. Em seguida, visitou a farmácia, padaria e uma mercearia no Sudoeste, bairro residencial que fica cerca de 10 km do Congresso Nacional.

O presidente foi ainda ao Hospital das Forças Armadas (HFA), onde esteve por cerca de 20 minutos, cumprimentou populares e profissionais que lá estavam. Bolsonaro teria ido ao hospital para conversar com médicos e enfermeiras e ver como estava o funcionamento do hospital.

Em seguida, o comboio presidencial seguiu em direção a Ceilândia, uma região administrativa de Brasília, que fica a cerca de 36 quilômetros do Palácio da Alvorada. Ceilândia é a cidade onde moram familiares da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

O presidente passeou de carro pela região onde funciona uma feira, que está fechada em razão da determinação do governador. A chegada do presidente parou o local, reunindo várias pessoas que se aproximaram para tirar fotos. Ele parou para conversas com populares e com um vendedor de churrasquinho, que reclamou da paralisação do comércio, concordando com o discurso que vem sendo repetido pelo presidente nos últimos dias de que não é possível ficar parado.

 

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